O argumento (será mesmo um argumento?) preferido daqueles que escutam, leem os chatos, os reclamões aqui do fórum; argumento daqueles que ou estão confortáveis na posição em que estão e não querem perder tal conforto, ou daqueles que se aproveitam das falhas e injustiças do sistema, ou daqueles que simplesmente não estão nem aí e aceitam tudo que vier, mesmo que esse tudo que vem os destrua lentamente, drenando seus recursos e paciência paulatinamente, até que um dia ele se dê conta de que havia algo errado esse tempo todo, é o seguinte:
É o argumento do choro.
" Para de chorar, seu mimados!"
"Tem que ser muito perdedor mesmo para estar chorando num joguinho online"
"O choro é livre" (clássico)
"Esses aí tiveram tudo na vida e agora querem tudo num joguinho online" (humpf, que ironia, não?)
"Só sabem chorar, por que não aproveitam o jogo do jeito que está?"
e finalmente, o :
"Não tá gostando? Para de chorar, deleta o char e vai jogar LoL"
Aqui eu dou uma pausa para dar um testemunho da minha vida que explica o porquê de eu ser, vamos adotar o termo deles, chorão.
E não vou falar isso com o objetivo de me gabar ou que o que fiz e faço é certo e o exemplo a se seguir, apesar de que se mais pessoas adotassem essa conduta, talvez a vida seria mais fácil.
O exemplo que tive em casa foi sempre de nunca se acomodar frente a injustiças. Sempre exigir o que é certo, e se inconformar quando não se é respeitado um combinado, um negócio, uma relação social, o que seja.
Cresci vendo meus pais "brigando" (quando eu era pequeno, eu detestava essas situações, porque é constrangedor, mas, mais tarde percebi, necessário) com vendedores, operadoras, bancos etc, toda vez que eram lesados pela conduta equivocada desses.
Eles nunca foram grossos com garçons, balconistas, recepcionistas arrogantes, ou com a comida que demora a chegar num restaurante cheio. Eles entendiam que aquilo era complicado para o estabelecimento, e os funcionários mal-humorados apenas estavam atolados com seus próprios problemas.
Mas há uma distinção entre o choro e... a consciência social, o olhar crítico sobre a lisura, a justiça, probidade, a dignidade na vida.
Sei que nesse momento vão me tachar de ******* (eu realmente não queria trazer política, mas é só esse instantinho), mesmo que eu nunca tenha votado nesse (<) e naquele (>), porque minha mente não é polarizada, ela entende que há alternativas, compreende e procura estudar o melhor caminho a percorrer.
Quando comecei a frequentar a escola, eu já estava programado, mas não pronto, para enfrentar os percalços.
Na 7ª série, quando a escola tentou acrescentar mais um dia com 6ª aula (naquela época eram 5 aulas por dia, com 1 dia com 6 aulas), todos os alunos da minha classe, apenas a minha classe, fomos para a frente do andar da diretoria, sentamos no chão e protestamos. Eu não fui o organizador nem o responsável, mas eu aderi, eu tomei parte. No final foi inútil, porque a 6ª aula foi implementada mesmo assim. Foi uma atitude com interesses egoístas e preguiçosos de não querer estudar mais 1 hora por semana? Foi. Mas também foi um começo.
2 anos depois o sentimento voltou. Quando meu grupo de um trabalho da escola comprou um rolo de filme para a máquina fotográfica (sim, eu sou dessa época) e ele veio com defeito, e o funcionário da loja se recusou a trocar e ainda nos xingou, nós "acampamos" durante o dia inteiro na loja do cara até ele trocar o rolo. Após uma ou duas horas, ele trocou, em meio a muitos xingamentos que ignoramos.
No prédio onde eu morava, as crianças detestavam serem obrigadas a cada um ir para suas casas quando dava 22h e tudo fechava, e ninguém mais podia ficar 'lá embaixo'. Achávamos que era muito cedo. Combinamos de, na próxima assembleia onde só iam adultos, e que acontecia no salão de festas, aparecermos de surpresa e sugerir, em coro, 1h a mais antes do curfew. E ficou combinado ali mesmo que a hora do fechamento do prédio seria 23h dali em diante.
Quando eu e um amigo nos associamos a um clube social de uma cidade do interior, e depois descobrimos que não havia treino de basquete, mas havia até um campeonato de futebol com vários times, fizemos uma coisa simples e que nos tomou, talvez, 30 minutos. Pegamos uma folha sulfite da secretaria ali mesmo, escrevemos uma petição e assinamos nossos nomes e número da "ID" do nosso crachá. Pronto. Talvez um mês depois, não lembro direito, foi implementado o treino de basquete toda sexta-feira. Mas não paramos por aí. Quando mais e mais alunos começaram a se inscrever, não nos contentamos com 1h de basquete toda sexta-feira. Então fizemos a mesma coisa de antes. E pouco depois anunciaram que os treinos de basquete seriam 3 vezes por semana, durante 2 horas.
Mais recentemente, quando estava na faculdade, o governo cortou a verba de rateio da universidade, basicamente o dinheiro mínimo necessário para ela funcionar, e atrasou 3 meses de salário dos estagiários (eu estava entre eles), então fizemos greve. Fui pra rua, segurei cartaz, pintei mensagens na traseira dos carros (com consentimento). Essas greves raramente mudam alguma coisa, mas quem está no poder precisa ver que há um descontentamento. O simples ato de mostrar-se inconformado, parar as atividades, divulgar a indignação dos injustiçados, fez o governo depositar a verba. Porém, quando alguns meses depois ameaçaram entrar em greve de novo, e de fato muita gente ficou em greve, colocando barracas nos corredores e dormindo na universidade, nesse caso eu me recusei a participar, porque não havia respaldo dos professores, não havia exigências viáveis OU sensatas, era apenas um monte de gente que não queria estudar e queria causar frisson, queria uma faculdade nível Stanford, Duke, Princeton, Cambridge do dia pra noite...
Todo esse relato foi para demonstrar que o choro às vezes é necessário. Precisamos ter o discernimento do mundo à nossa volta, necessitamos aprender a pensar analiticamente sobre nossa vida em sociedade.
O choro num joguinho online pode parecer birra, besteira, algo superficial, tolo, banal, insignificante.
Mas sua postura num joguinho online espelha sua postura na vida.
Se você não é capaz de chorar para reivindicar direitos e contestar a máfia que assola e deteriora o SEU joguinho online, e prejudica a sua experiência, a sua hora de lazer, num joguinho online, eu só posso imaginar como você age nas injustiças da vida.
Mas se você está confortável porque está se aproveitando do sistema vigente para fortalecer o seu projeto de se tornar ou participar do grupo daqueles que estão no topo, sempre no topo;
Ou porque está lucrando mesmo devendo dezenas de satisfações, explicações ante reclamações pertinentes e promessas nunca cumpridas, falhando em atender seus clientes em coisas básicas como comunicação e transparência. Eu não tenho mais nada para falar para vocês...
(mas vocês sabem que vou continuar falando, claro)
Gente, o topo é superestimado. Uma vez lá em cima, o tédio e a insatisfação chegarão, inevitavelmente. Você está preparado, trabalhou sua mente para encarar o vazio de não ter nada mais o que buscar? Para que a pressa em subir? Aprecie a escalada.
E minha agenda no Priston Tale se resume a isso:
É o único jogo que joguei na vida que me proporciona o prazer do sentimento da evolução gradual. É um jogo sem fim. Eu sei que nunca vou chegar no topo, e para mim essa é a graça. Eu sempre terei no Priston Tale minha hora de lazer, de continuar escalando, um braço após o outro, até esse jogo ser extinto.
E se você prejudica de forma injusta o meu lazer, se você tenta, intencionalmente ou não, adotar medidas que sejam nocivas à comunidade do jogo, de tantas outras pessoas que jogaram isso nos anos 2000 e carregam esse carinho pelo jogo, se você perdeu a mão mas não quer passar o bastão.
Eu vou lutar com você.
Pode acionar um pergaminho da caça, chamar atalanta e assassina para aumentar sua esquiva. Pode buffar até a unha do seu personagem.
Meu ciclone vai continuar batendo. (porque eu amo o mech).
Ele vai dar miss atrás de miss, ele vai cair várias, centenas, inúmeras vezes.
Mas ressu é o que não me falta.
(nem sei porque escolhi essa metáfora. Eu detesto PvP)
É o argumento do choro.
" Para de chorar, seu mimados!"
"Tem que ser muito perdedor mesmo para estar chorando num joguinho online"
"O choro é livre" (clássico)
"Esses aí tiveram tudo na vida e agora querem tudo num joguinho online" (humpf, que ironia, não?)
"Só sabem chorar, por que não aproveitam o jogo do jeito que está?"
e finalmente, o :
"Não tá gostando? Para de chorar, deleta o char e vai jogar LoL"
Aqui eu dou uma pausa para dar um testemunho da minha vida que explica o porquê de eu ser, vamos adotar o termo deles, chorão.
E não vou falar isso com o objetivo de me gabar ou que o que fiz e faço é certo e o exemplo a se seguir, apesar de que se mais pessoas adotassem essa conduta, talvez a vida seria mais fácil.
O exemplo que tive em casa foi sempre de nunca se acomodar frente a injustiças. Sempre exigir o que é certo, e se inconformar quando não se é respeitado um combinado, um negócio, uma relação social, o que seja.
Cresci vendo meus pais "brigando" (quando eu era pequeno, eu detestava essas situações, porque é constrangedor, mas, mais tarde percebi, necessário) com vendedores, operadoras, bancos etc, toda vez que eram lesados pela conduta equivocada desses.
Eles nunca foram grossos com garçons, balconistas, recepcionistas arrogantes, ou com a comida que demora a chegar num restaurante cheio. Eles entendiam que aquilo era complicado para o estabelecimento, e os funcionários mal-humorados apenas estavam atolados com seus próprios problemas.
Mas há uma distinção entre o choro e... a consciência social, o olhar crítico sobre a lisura, a justiça, probidade, a dignidade na vida.
Sei que nesse momento vão me tachar de ******* (eu realmente não queria trazer política, mas é só esse instantinho), mesmo que eu nunca tenha votado nesse (<) e naquele (>), porque minha mente não é polarizada, ela entende que há alternativas, compreende e procura estudar o melhor caminho a percorrer.
Quando comecei a frequentar a escola, eu já estava programado, mas não pronto, para enfrentar os percalços.
Na 7ª série, quando a escola tentou acrescentar mais um dia com 6ª aula (naquela época eram 5 aulas por dia, com 1 dia com 6 aulas), todos os alunos da minha classe, apenas a minha classe, fomos para a frente do andar da diretoria, sentamos no chão e protestamos. Eu não fui o organizador nem o responsável, mas eu aderi, eu tomei parte. No final foi inútil, porque a 6ª aula foi implementada mesmo assim. Foi uma atitude com interesses egoístas e preguiçosos de não querer estudar mais 1 hora por semana? Foi. Mas também foi um começo.
2 anos depois o sentimento voltou. Quando meu grupo de um trabalho da escola comprou um rolo de filme para a máquina fotográfica (sim, eu sou dessa época) e ele veio com defeito, e o funcionário da loja se recusou a trocar e ainda nos xingou, nós "acampamos" durante o dia inteiro na loja do cara até ele trocar o rolo. Após uma ou duas horas, ele trocou, em meio a muitos xingamentos que ignoramos.
No prédio onde eu morava, as crianças detestavam serem obrigadas a cada um ir para suas casas quando dava 22h e tudo fechava, e ninguém mais podia ficar 'lá embaixo'. Achávamos que era muito cedo. Combinamos de, na próxima assembleia onde só iam adultos, e que acontecia no salão de festas, aparecermos de surpresa e sugerir, em coro, 1h a mais antes do curfew. E ficou combinado ali mesmo que a hora do fechamento do prédio seria 23h dali em diante.
Quando eu e um amigo nos associamos a um clube social de uma cidade do interior, e depois descobrimos que não havia treino de basquete, mas havia até um campeonato de futebol com vários times, fizemos uma coisa simples e que nos tomou, talvez, 30 minutos. Pegamos uma folha sulfite da secretaria ali mesmo, escrevemos uma petição e assinamos nossos nomes e número da "ID" do nosso crachá. Pronto. Talvez um mês depois, não lembro direito, foi implementado o treino de basquete toda sexta-feira. Mas não paramos por aí. Quando mais e mais alunos começaram a se inscrever, não nos contentamos com 1h de basquete toda sexta-feira. Então fizemos a mesma coisa de antes. E pouco depois anunciaram que os treinos de basquete seriam 3 vezes por semana, durante 2 horas.
Mais recentemente, quando estava na faculdade, o governo cortou a verba de rateio da universidade, basicamente o dinheiro mínimo necessário para ela funcionar, e atrasou 3 meses de salário dos estagiários (eu estava entre eles), então fizemos greve. Fui pra rua, segurei cartaz, pintei mensagens na traseira dos carros (com consentimento). Essas greves raramente mudam alguma coisa, mas quem está no poder precisa ver que há um descontentamento. O simples ato de mostrar-se inconformado, parar as atividades, divulgar a indignação dos injustiçados, fez o governo depositar a verba. Porém, quando alguns meses depois ameaçaram entrar em greve de novo, e de fato muita gente ficou em greve, colocando barracas nos corredores e dormindo na universidade, nesse caso eu me recusei a participar, porque não havia respaldo dos professores, não havia exigências viáveis OU sensatas, era apenas um monte de gente que não queria estudar e queria causar frisson, queria uma faculdade nível Stanford, Duke, Princeton, Cambridge do dia pra noite...
Todo esse relato foi para demonstrar que o choro às vezes é necessário. Precisamos ter o discernimento do mundo à nossa volta, necessitamos aprender a pensar analiticamente sobre nossa vida em sociedade.
O choro num joguinho online pode parecer birra, besteira, algo superficial, tolo, banal, insignificante.
Mas sua postura num joguinho online espelha sua postura na vida.
Se você não é capaz de chorar para reivindicar direitos e contestar a máfia que assola e deteriora o SEU joguinho online, e prejudica a sua experiência, a sua hora de lazer, num joguinho online, eu só posso imaginar como você age nas injustiças da vida.
Mas se você está confortável porque está se aproveitando do sistema vigente para fortalecer o seu projeto de se tornar ou participar do grupo daqueles que estão no topo, sempre no topo;
Ou porque está lucrando mesmo devendo dezenas de satisfações, explicações ante reclamações pertinentes e promessas nunca cumpridas, falhando em atender seus clientes em coisas básicas como comunicação e transparência. Eu não tenho mais nada para falar para vocês...
(mas vocês sabem que vou continuar falando, claro)
Gente, o topo é superestimado. Uma vez lá em cima, o tédio e a insatisfação chegarão, inevitavelmente. Você está preparado, trabalhou sua mente para encarar o vazio de não ter nada mais o que buscar? Para que a pressa em subir? Aprecie a escalada.
E minha agenda no Priston Tale se resume a isso:
É o único jogo que joguei na vida que me proporciona o prazer do sentimento da evolução gradual. É um jogo sem fim. Eu sei que nunca vou chegar no topo, e para mim essa é a graça. Eu sempre terei no Priston Tale minha hora de lazer, de continuar escalando, um braço após o outro, até esse jogo ser extinto.
E se você prejudica de forma injusta o meu lazer, se você tenta, intencionalmente ou não, adotar medidas que sejam nocivas à comunidade do jogo, de tantas outras pessoas que jogaram isso nos anos 2000 e carregam esse carinho pelo jogo, se você perdeu a mão mas não quer passar o bastão.
Eu vou lutar com você.
Pode acionar um pergaminho da caça, chamar atalanta e assassina para aumentar sua esquiva. Pode buffar até a unha do seu personagem.
Meu ciclone vai continuar batendo. (porque eu amo o mech).
Ele vai dar miss atrás de miss, ele vai cair várias, centenas, inúmeras vezes.
Mas ressu é o que não me falta.
(nem sei porque escolhi essa metáfora. Eu detesto PvP)

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