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Priston Tale, a história.

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  • #16

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    Editado por Godskin; 17/10/2026, 00:05.

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    • #17
      Capítulo XV — Os Filhos da Escuridão

      Mesmo após a derrota de Midranda, a corrupção não desapareceu do mundo.

      Seu corpo havia sido vencido, seu nome proibido entre os povos e sua essência aprisionada pelos Nove Deuses. Ainda assim, aqueles que haviam jurado lealdade ao antigo deus recusaram-se a aceitar sua queda. Enquanto as grandes civilizações voltavam sua atenção para a reconstrução de suas terras, nas regiões mais distantes pequenos grupos preservavam antigos rituais, símbolos esquecidos e promessas feitas muito antes da Primeira Guerra dos Deuses.

      Esses seguidores passaram a viver longe dos reinos conhecidos, ocultando-se em cavernas, fortalezas abandonadas e regiões devastadas pelos conflitos antigos. Com o passar das gerações, deixaram de ser apenas sobreviventes de um exército derrotado. Tornaram-se uma nova sociedade, moldada inteiramente pela devoção àquele que acreditavam ser o verdadeiro soberano do mundo.

      Os registros mais antigos os identificam como Igolanos e Asmodianos.

      Para eles, Midranda jamais havia sido derrotado. Seu deus apenas aguardava o momento adequado para retornar.

      Enquanto Morions e Tempskrons reconstruíam suas cidades, desenvolviam novos conhecimentos e fortaleciam suas alianças, esses povos percorriam um caminho oposto. Cada geração abandonava parte de sua antiga humanidade em troca da promessa de restaurar o poder perdido de seu senhor. Seus sacerdotes estudavam fragmentos da energia deixada pelas antigas guerras divinas, procurando qualquer sinal de enfraquecimento dos selos criados pelos Nove Deuses.

      Foi durante esse período que começaram a surgir os primeiros relatos de regiões onde a natureza parecia adoecer sem motivo aparente. Florestas inteiras secavam em poucos dias. Animais desapareciam. Nascentes outrora cristalinas tornavam-se escuras, e viajantes afirmavam ouvir vozes vindas de lugares onde não existia qualquer presença humana.

      Os estudiosos da época atribuíram esses acontecimentos a desastres naturais ou às cicatrizes deixadas pelos antigos conflitos. Poucos imaginaram que aqueles fenômenos eram consequência de séculos de rituais realizados em segredo pelos servos de Midranda.

      Sem chamar atenção dos grandes reinos, os cultos cresceram lentamente.

      Sua força não estava nos exércitos, mas na paciência.

      Eles compreendiam que nenhuma guerra poderia ser vencida enquanto os povos permanecessem unidos sob a proteção dos Nove Deuses. Assim, dedicaram-se a uma batalha invisível: corromper lugares esquecidos, recuperar artefatos antigos e preparar o mundo para o retorno daquele que chamavam de o Deus das Trevas.

      Foi nesse longo período de conspiração que as sementes dos acontecimentos futuros começaram a ser lançadas. Os povos livres ainda acreditavam viver uma era de paz relativa, sem perceber que, muito além de suas fronteiras, um inimigo trabalhava silenciosamente para transformar cada sombra, cada ruína e cada fragmento da antiga guerra em instrumentos para o renascimento de Midranda.

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      • #18
        Capítulo XV — A Tempestade da Morte

        A derrota de Midranda não significou o fim da guerra.

        Enquanto os povos do continente acreditavam que a paz finalmente havia sido conquistada, os seguidores mais fiéis do Deus das Trevas desapareceram nas regiões mais remotas do mundo. Distantes das cidades reconstruídas e protegidos pelo isolamento, os Asmodianos recusaram-se a aceitar o destino de seu senhor. Em silêncio, preservaram sua cultura, fortaleceram seus exércitos e aguardaram o momento oportuno para devolver ao continente o domínio que acreditavam pertencer a Midranda.

        Diferentemente das antigas legiões que marchavam em campo aberto, os novos líderes Asmodianos compreenderam que a força militar, por si só, não seria suficiente para enfrentar os povos protegidos pelos deuses. A vitória dependeria de uma arma capaz de atingir todo o continente antes mesmo que qualquer exército pudesse reagir.

        Após anos de pesquisas, seus estrategistas criaram aquilo que os registros antigos descrevem como a primeira arma biológica da história pristoniana. Não eram espadas nem catapultas. O próprio ar tornou-se o veículo da destruição.

        Quando a enfermidade começou a se espalhar, ninguém compreendeu sua origem.

        Pequenas aldeias desapareceram em poucos dias. Viajantes levavam consigo uma doença desconhecida para cidades cada vez mais distantes. Sacerdotes, curandeiros e estudiosos tentavam combater um inimigo invisível, mas cada esforço parecia apenas retardar uma tragédia inevitável.

        A praga atravessou fronteiras sem encontrar resistência.

        Os campos foram abandonados. Estradas antes movimentadas tornaram-se silenciosas. Em muitas regiões, não restaram sobreviventes para relatar o que havia acontecido.

        Os cronistas da época deram a esse período um nome que seria lembrado durante gerações:

        A Tempestade da Morte.

        Pela primeira vez desde a derrota de Midranda, os povos compreenderam que o inimigo jamais deixara de existir. Ele apenas aprendera uma nova forma de guerrear.

        Enquanto os pristonianos lutavam para sobreviver à epidemia, os Asmodianos observavam os efeitos de sua criação à distância. Cada cidade enfraquecida, cada família destruída e cada reino mergulhado no desespero aproximavam o continente do verdadeiro objetivo: preparar o caminho para uma nova guerra.

        A Tempestade da Morte não foi apenas uma epidemia.

        Ela marcou o início de uma nova era, em que a destruição deixava de depender da força dos exércitos e passava a nascer do medo, do desespero e da incapacidade dos homens de compreender o inimigo que enfrentavam.

        Sem que a maioria dos sobreviventes percebesse, a guerra contra Midranda havia recomeçado.

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        • #19
          Capítulo XVI — Os Povos das Trevas

          A Tempestade da Morte deixou cicatrizes profundas no continente, mas também revelou uma verdade que muitos haviam preferido ignorar durante séculos.

          As forças que serviam a Midranda jamais haviam sido destruídas.

          Desde o fim da Primeira Guerra dos Deuses, os exércitos do Deus das Trevas desapareceram dos campos de batalha, mas nunca da história. Enquanto os povos livres reconstruíam suas cidades e celebravam a paz conquistada, aqueles que permaneceram fiéis ao senhor banido refugiavam-se em terras esquecidas, longe dos olhares dos vencedores.

          Os registros preservados pelos antigos cronistas descrevem dois povos que carregaram esse legado através das eras: os Igolanos e os Asmodianos.

          Embora compartilhassem a mesma devoção a Midranda, seus caminhos eram diferentes.

          Os Igolanos dedicavam-se ao conhecimento. Eram estudiosos, alquimistas e artífices capazes de manipular energias proibidas e experimentar formas de vida que jamais deveriam existir. Nas profundezas de seus laboratórios, buscavam compreender os fragmentos do poder deixado pela guerra entre os deuses. Cada descoberta aproximava-os um pouco mais do objetivo que perseguiam havia gerações: preparar o mundo para o retorno de seu soberano.

          Os Asmodianos, por outro lado, nasceram para a guerra.

          Sua sociedade foi moldada pela disciplina, pela força e pela obediência absoluta. Desde a infância, cada guerreiro era preparado para servir a um único propósito: continuar o conflito interrompido pela derrota de Midranda.

          Enquanto as gerações passavam, ambos os povos preservavam cuidadosamente sua história.

          Para os habitantes das cidades livres, Midranda transformara-se em uma lembrança distante, quase um mito utilizado para advertir crianças sobre os perigos da ambição. Entre os Igolanos e Asmodianos, porém, seu nome continuava sendo pronunciado diariamente em cerimônias, juramentos e rituais.

          Eles não acreditavam que seu deus havia sido derrotado.

          Acreditavam que ele aguardava.

          Século após século, fortalezas ocultas foram erguidas em regiões onde poucos viajantes ousavam entrar. Bibliotecas secretas reuniam antigos pergaminhos salvos da Primeira Guerra dos Deuses. Sacerdotes ensinavam às novas gerações a verdadeira versão dos acontecimentos segundo seus ancestrais, mantendo viva a esperança de que um dia Midranda retornaria para concluir aquilo que começara.

          Foi nesse ambiente que uma nova geração cresceu.

          Jovens que jamais haviam visto o mundo antes da derrota de seu deus aprenderam desde cedo que toda sua existência possuía um único significado: restaurar a antiga ordem.

          Entre eles surgiram estudiosos brilhantes, sacerdotes fanáticos e guerreiros cuja habilidade superava a de seus predecessores.

          Os Igolanos aperfeiçoaram seus conhecimentos sobre alquimia, manipulação da Mana e criação de criaturas de combate. Os Asmodianos transformaram seus exércitos em forças altamente organizadas, capazes de agir como uma única vontade.

          Enquanto isso, os povos livres acreditavam que a Tempestade da Morte havia sido a maior ameaça que enfrentariam.

          Não percebiam que aquela epidemia fora apenas um teste.

          Nas sombras, os seguidores de Midranda já não buscavam apenas sobreviver.

          Preparavam-se para conquistar.

          E entre os inúmeros jovens treinados para esse propósito, um guerreiro começava a destacar-se acima de todos os outros.

          Seu nome ainda era conhecido apenas entre os Asmodianos.

          Mas, em pouco tempo, seria lembrado por todo o continente como o maior comandante das forças das trevas.

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          • #20
            Capítulo XVII — A Grande Aliança

            Enquanto os seguidores de Midranda fortaleciam-se nas sombras, os povos livres enfrentavam as consequências da maior tragédia que o continente conhecera desde a queda do Deus das Trevas.

            A Tempestade da Morte não devastara apenas cidades e aldeias. Ela abalara antigas convicções.

            Os Wyzen, herdeiros do conhecimento arcano, acreditavam que toda resposta poderia ser encontrada na Mana, a energia primordial que permeava o mundo desde sua criação. Seus magos, sacerdotes e alquimistas dedicavam a vida ao estudo das forças invisíveis, certos de que a sabedoria concedida pelos Nove Deuses seria suficiente para superar qualquer ameaça.

            Os Thaion, por sua vez, seguiam um caminho diferente. Mestres da engenharia e da observação, confiavam na razão, na experimentação e na capacidade humana de compreender a natureza por meio da ciência. Onde os Wyzen viam mistérios espirituais, os Thaion enxergavam problemas que poderiam ser resolvidos com estudo e perseverança.

            Durante séculos, essas diferenças mantiveram ambos os povos afastados.

            Cada civilização orgulhava-se de sua própria tradição e acreditava possuir o caminho mais seguro para conduzir o futuro do continente.

            A Tempestade da Morte provou que ambas estavam erradas.

            Nem a magia dos Wyzen foi capaz de conter a enfermidade.

            Nem a ciência dos Thaion encontrou uma resposta definitiva.

            À medida que a epidemia avançava, tornou-se evidente que insistir no isolamento significava aceitar a extinção.

            Foi então que emissários cruzaram fronteiras antes consideradas intransponíveis. Pela primeira vez desde a reorganização das civilizações, estudiosos, sacerdotes, engenheiros e alquimistas sentaram-se à mesma mesa não como rivais, mas como sobreviventes de uma mesma tragédia.

            Os encontros prolongaram-se por semanas.

            Livros antes mantidos em segredo foram abertos diante de antigos adversários. Fórmulas, rituais, projetos e descobertas passaram a ser compartilhados livremente, numa demonstração de confiança que poucas gerações imaginariam testemunhar.

            Desse esforço conjunto nasceu aquilo que os cronistas chamariam de Grande Aliança.

            Mais do que um tratado político, a Grande Aliança representava uma mudança na maneira como os povos compreendiam o próprio conhecimento.

            Os Wyzen ensinaram a manipular a Mana com precisão jamais alcançada.

            Os Thaion apresentaram métodos que permitiam aplicar esse poder de forma prática e controlada.

            Da união dessas duas tradições surgiu uma nova disciplina.

            Os registros antigos deram-lhe um único nome:

            A Fusão.

            Seu desenvolvimento permitiu combater os efeitos da Tempestade da Morte, salvando incontáveis vidas e interrompendo o avanço da epidemia que ameaçava consumir o continente.

            Mas a Grande Aliança produziu consequências ainda mais profundas.

            Pela primeira vez, Wyzen e Thaion passaram a lutar lado a lado.

            Exércitos antes independentes aprenderam a coordenar estratégias. Magos protegiam soldados. Engenheiros construíam armas capazes de potencializar a energia manipulada pelos sacerdotes. Fortificações começaram a unir conhecimentos que até então jamais haviam coexistido.

            Uma nova era parecia nascer.

            Nas cidades livres, muitos acreditavam que o sofrimento finalmente chegara ao fim.

            Ignoravam, porém, que cada avanço conquistado pela Grande Aliança era observado atentamente pelos servos de Midranda.

            Os sacerdotes Igolanos compreenderam que o tempo deixara de favorecer as trevas.

            Se permitissem que aquela união prosperasse, a distância entre seus exércitos e os povos livres aumentaria a cada geração.

            A guerra que haviam preparado durante séculos não podia mais ser adiada.

            Nas fortalezas Asmodianas, antigos estandartes voltaram a ser erguidos.

            Forjas reacenderam suas chamas.

            Bestas de guerra foram retiradas de seus abrigos.

            E, entre todos os comandantes reunidos para decidir o futuro daquele conflito, apenas um nome foi pronunciado sem que houvesse qualquer contestação.

            Era o nome do guerreiro que havia dedicado toda a sua vida à arte da guerra, cuja liderança inspirava soldados e cuja lealdade a Midranda jamais fora questionada.

            Draxos.

            Seu tempo havia chegado.

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            • #21
              Capítulo XVIII — Draxos, o General das Trevas

              Entre os Asmodianos, a guerra não era apenas uma necessidade.

              Era uma herança.

              Cada criança crescia ouvindo relatos da queda de Midranda e aprendendo que a derrota de seu deus representava a maior injustiça já cometida contra seu povo. A paz jamais foi celebrada entre eles; era vista apenas como um intervalo entre batalhas.

              Foi nesse ambiente que nasceu Draxos.

              Os antigos registros Asmodianos descrevem-no como um guerreiro de disciplina incomum. Ainda jovem, demonstrava uma capacidade rara de compreender o campo de batalha, antecipando os movimentos dos adversários antes mesmo que eles acontecessem. Enquanto outros buscavam reconhecimento pela força, Draxos conquistava respeito pela estratégia.

              Sua ascensão foi rápida.

              Primeiro comandou pequenos destacamentos responsáveis por proteger as fortalezas ocultas dos Asmodianos. Depois liderou expedições destinadas a recuperar antigas relíquias da Primeira Guerra dos Deuses, espalhadas por ruínas que permaneciam intocadas havia séculos.

              Cada vitória fortalecia seu nome.

              Cada missão cumprida aumentava sua influência entre sacerdotes, generais e conselheiros.

              Não demorou para que os próprios líderes Asmodianos reconhecessem que nenhum outro comandante reunia tantas qualidades quanto ele.

              Enquanto isso, os Igolanos continuavam seus experimentos.

              Seus alquimistas estudavam criaturas antigas, buscavam compreender a essência das feras que sobreviveram às guerras divinas e procuravam desenvolver seres capazes de enfrentar os exércitos da Grande Aliança.

              Foi observando Draxos que encontraram aquilo que procuravam.

              Sua imponência, sua resistência e sua capacidade de dominar o campo de batalha tornaram-se o modelo para uma nova criação.

              Inspirados na figura do general, os Igolanos deram início ao desenvolvimento das primeiras linhagens de dragões destinadas à guerra. Não eram simples animais. Eram criaturas concebidas para espalhar terror, romper muralhas e transformar qualquer batalha em um massacre.

              Com o passar dos anos, cavaleiros Asmodianos começaram a treinar ao lado dessas criaturas, estabelecendo uma ligação que aumentava ainda mais o poder de seu exército.

              Quando a notícia chegou aos povos livres, poucos acreditaram.

              Dragões pertenciam às antigas lendas da criação.

              Pensava-se que jamais voltariam a caminhar sobre o mundo.

              Mas os relatos multiplicavam-se.

              Viajantes descreviam sombras gigantescas cruzando os céus ao entardecer. Pastores encontravam rebanhos inteiros carbonizados sem qualquer sinal de combate. Fortificações erguidas em regiões isoladas eram encontradas completamente destruídas, como se uma força colossal tivesse passado por elas.

              O nome de Draxos começou a atravessar fronteiras.

              Nas cidades dos povos livres, mães utilizavam seu nome para assustar crianças desobedientes. Soldados mais experientes alertavam os recrutas para jamais subestimar o comandante das trevas. Sacerdotes registravam cada novo relato, temendo que todos fossem apenas o prenúncio de uma guerra ainda maior.

              Entretanto, para os seguidores de Midranda, Draxos representava algo diferente.

              Ele era a prova de que as trevas ainda possuíam um líder digno de conduzir seu povo.

              Quando os sacerdotes Asmodianos anunciaram que chegara o momento de abandonar as sombras e enfrentar novamente os povos livres, não houve discussão sobre quem comandaria o maior exército já reunido desde a queda de Midranda.

              Todos os olhares voltaram-se para um único homem.

              Draxos aceitou a missão sem hesitar.

              Diante de seus soldados, fez apenas uma promessa.

              A guerra interrompida séculos antes finalmente chegaria ao seu verdadeiro desfecho.

              Assim teve início a mobilização que levaria o continente àquele que os cronistas passariam a chamar de Segunda Guerra dos Deuses.

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              • #22
                Capítulo XIX — A Segunda Guerra dos Deuses

                Durante muitos anos, a Grande Aliança acreditou que a Tempestade da Morte havia sido a última tentativa desesperada dos seguidores de Midranda. As cidades voltaram a crescer, as estradas foram reconstruídas e novas gerações nasceram sem conhecer o horror vivido por seus pais.

                A paz, entretanto, era apenas uma ilusão.

                Nas terras dominadas pelos Asmodianos, a mobilização nunca cessara.

                Enquanto os povos livres reconstruíam suas muralhas, os seguidores de Midranda erguiam fortalezas ocultas, treinavam novas legiões e aperfeiçoavam as criaturas concebidas pelos alquimistas Igolanos. O tempo havia sido transformado em sua maior arma.

                Quando Draxos julgou que seus exércitos estavam preparados, não enviou mensageiros nem exigiu rendição.

                A guerra começou sem aviso.

                As primeiras ofensivas atingiram pequenas fronteiras, postos avançados e aldeias afastadas dos grandes centros. Sobreviventes relatavam o avanço de soldados que lutavam com disciplina absoluta, acompanhados por criaturas jamais vistas em guerras anteriores. As fortalezas que resistiam ao ataque terrestre eram destruídas pelas enormes bestas aladas que cruzavam os céus.

                Em poucas semanas, tornou-se evidente que aquele não era um conflito comum.

                Era uma invasão planejada durante séculos.

                As notícias espalharam-se rapidamente pelo continente. Os líderes da Grande Aliança convocaram seus exércitos, enquanto sacerdotes chamavam a população para abandonar as regiões mais vulneráveis. Caravanas de refugiados cruzavam estradas tomadas pelo medo, levando consigo apenas aquilo que conseguiam carregar.

                Os primeiros confrontos revelaram a verdadeira dimensão da ameaça.

                Os Asmodianos possuíam soldados experientes, moldados por gerações de treinamento contínuo. Cada unidade conhecia seu papel com precisão, e cada avanço era executado conforme os planos elaborados por Draxos. Os Igolanos, por sua vez, garantiam que novas criaturas e armas chegassem constantemente às linhas de batalha, tornando o conflito diferente de qualquer guerra registrada até então.

                Mesmo assim, a Grande Aliança resistiu.

                Os Wyzen utilizavam a Mana para proteger cidades e fortalecer seus guerreiros. Os Thaion respondiam com máquinas de guerra, armamentos e estratégias capazes de conter parte do avanço inimigo. Pela primeira vez, magia e tecnologia combatiam lado a lado em um mesmo campo de batalha.

                Nenhum dos dois lados conseguiu impor uma vitória rápida.

                A guerra transformou-se em um conflito de desgaste.

                Cada cidade conquistada custava milhares de vidas.

                Cada fortaleza perdida era retomada dias depois.

                As fronteiras deixaram de existir.

                O continente inteiro tornou-se um único campo de batalha.

                À medida que os combates se prolongavam, uma verdade começou a preocupar os líderes da Grande Aliança.

                Mesmo unindo toda a sua força, eles não conseguiam deter Draxos.

                O general Asmodiano parecia prever cada movimento de seus adversários. Sempre que uma estratégia era preparada, ele já havia encontrado uma maneira de neutralizá-la. Cada derrota fortalecia ainda mais sua reputação entre os próprios soldados e espalhava o medo entre seus inimigos.

                Os antigos conselheiros compreenderam, então, que enfrentavam um comandante como jamais haviam conhecido.

                Se a guerra continuasse naquele ritmo, seria apenas uma questão de tempo até que as últimas cidades livres caíssem.

                Foi nesse momento que os maiores sábios dos Wyzen e os engenheiros mais brilhantes dos Thaion voltaram a reunir-se em segredo.

                A Grande Aliança precisava criar algo que jamais existira.

                Não uma nova estratégia.

                Não um novo exército.

                Mas uma arma capaz de mudar o destino da guerra.

                Nascia, em absoluto sigilo, o projeto que entraria para a história apenas como a Arma Antiga.

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                • #23
                  Capítulo XX — A Arma Antiga

                  A Segunda Guerra dos Deuses avançava sem que qualquer dos lados conseguisse conquistar uma vitória definitiva.

                  Durante anos, os campos de batalha consumiram cidades, florestas e fortalezas. Povoados inteiros desapareceram sob o peso dos combates, enquanto novas legiões ocupavam imediatamente o lugar daqueles que haviam tombado. Cada vitória custava milhares de vidas. Cada derrota era apenas o prelúdio de uma nova ofensiva.

                  No centro daquele conflito permanecia uma única figura.

                  Draxos.

                  Sua capacidade estratégica transformara o exército Asmodiano em uma força praticamente imparável. Sob seu comando, soldados avançavam com disciplina absoluta, enquanto as criaturas criadas pelos Igolanos rompiam muralhas que durante séculos haviam sido consideradas inexpugnáveis.

                  Pela primeira vez desde a criação do mundo, os povos livres passaram a admitir uma possibilidade impensável.

                  Talvez não fosse possível vencer aquela guerra.

                  Nos salões onde a Grande Aliança ainda resistia, sacerdotes, magos, engenheiros e alquimistas reuniram-se novamente.

                  As estratégias tradicionais haviam fracassado.

                  Os exércitos já não eram suficientes.

                  Nem mesmo a Fusão, criada para unir o conhecimento dos Wyzen e dos Thaion, conseguia equilibrar o conflito.

                  Era necessário ir além.

                  Durante meses, os maiores estudiosos trabalharam isolados, reunindo todo o conhecimento preservado desde a Primeira Guerra dos Deuses. Manuscritos antigos foram retirados de bibliotecas seladas. Relíquias divinas voltaram a ser examinadas. Fragmentos de tecnologias esquecidas foram reconstruídos peça por peça.

                  O resultado desse esforço jamais recebeu um nome grandioso.

                  Os próprios registros passaram a chamá-lo apenas de Arma Antiga.

                  Seu verdadeiro funcionamento permaneceu conhecido apenas por um pequeno grupo de sábios.

                  Nem mesmo os comandantes da Grande Aliança compreendiam completamente aquilo que havia sido criado.

                  Sabiam apenas que seu poder ultrapassava qualquer outra invenção concebida até então.

                  Quando os preparativos foram concluídos, uma única decisão restava.

                  Onde utilizá-la.

                  A resposta parecia inevitável.

                  Enquanto Draxos permanecesse vivo, a guerra jamais terminaria.

                  O general Asmodiano havia se tornado muito mais do que um comandante militar.

                  Era o símbolo da resistência das trevas.

                  Seu exército lutava porque acreditava nele.

                  Sua presença inspirava soldados, fortalecia alianças e mantinha unidos todos aqueles que ainda serviam a Midranda.

                  Se Draxos caísse, talvez a guerra também pudesse terminar.

                  A Grande Aliança aceitou o preço daquela escolha.

                  Não seria uma batalha comum.

                  Seria uma tentativa desesperada de alterar o destino do mundo.

                  Mensageiros partiram para todas as regiões ainda livres.

                  Exércitos foram convocados.

                  Sacerdotes iniciaram dias ininterruptos de oração.

                  Ferreiros trabalharam sem descanso.

                  Os comandantes receberam ordens para reunir todas as tropas disponíveis.

                  Pela primeira vez desde o início da guerra, não haveria espaço para derrotas parciais.

                  Todo o futuro do continente dependeria de um único confronto.

                  Em algum lugar além das fronteiras devastadas, Draxos também compreendeu que aquele momento se aproximava.

                  Os relatos afirmam que o general observou seus exércitos reunidos sem demonstrar qualquer hesitação.

                  Ele sabia que a batalha seguinte decidiria mais do que a guerra.

                  Decidiria o futuro de toda a criação.

                  Assim, dois exércitos marcharam um contra o outro levando consigo não apenas armas e estandartes, mas o destino do mundo conhecido.

                  Os cronistas chamariam aquele confronto de a Batalha dos Anciões, o maior combate da Segunda Guerra dos Deuses.

                  Nenhum dos que marcharam para aquele campo poderia imaginar que, ao final daquele dia, o mundo jamais voltaria a ser o mesmo.

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                  • #24
                    Capítulo XXI — A Batalha dos Anciões

                    Os registros antigos afirmam que jamais houve uma reunião de forças comparável àquela.

                    De um lado marchavam os exércitos da Grande Aliança. Wyzen e Thaion haviam deixado para trás séculos de rivalidade e agora combatiam como um único povo. Magos, sacerdotes, arqueiros, cavaleiros, ferreiros e engenheiros avançavam sob o mesmo estandarte, conscientes de que aquela poderia ser a última batalha da humanidade livre.

                    Do outro lado encontravam-se os seguidores de Midranda.

                    As legiões Asmodianas formavam fileiras que pareciam não ter fim. Guerreiros veteranos, treinados desde a infância, carregavam armas forjadas ao longo de gerações de guerra. Entre eles marchavam as criações dos alquimistas Igolanos, criaturas concebidas para destruir muralhas, romper formações e espalhar o medo entre seus inimigos.

                    Acima de todos, os grandes dragões percorriam os céus.

                    Seu rugido podia ser ouvido antes mesmo que os exércitos se avistassem.

                    Quando as duas forças finalmente ficaram frente a frente, o mundo pareceu prender a respiração.

                    Nenhum mensageiro foi enviado.

                    Nenhuma proposta de rendição foi apresentada.

                    A guerra já havia ultrapassado qualquer possibilidade de negociação.

                    O primeiro avanço veio das legiões Asmodianas.

                    Escudos ergueram-se como muralhas móveis enquanto arqueiros lançavam uma chuva de flechas que obscureceu o céu. Logo atrás vinham os cavaleiros, abrindo caminho para as enormes criaturas de guerra criadas pelos Igolanos.

                    Os Wyzen responderam invocando barreiras de Mana que desviavam parte do ataque. Sacerdotes percorriam as linhas restaurando guerreiros feridos, enquanto os Thaion acionavam máquinas de cerco capazes de atingir alvos muito além do alcance dos arqueiros.

                    Durante horas, nenhum dos dois lados conseguiu vantagem.

                    A terra tremia sob o peso dos combates.

                    Montanhas ecoavam o som das explosões.

                    Rios mudavam de curso devido à destruição causada pelas armas e pela magia.

                    Os cronistas relatam que o céu permaneceu encoberto durante todo o confronto, ocultado pela fumaça, pelas cinzas e pela energia liberada em cada choque entre as forças da Grande Aliança e os servos de Midranda.

                    No centro daquele caos, Draxos conduzia seus homens com a mesma serenidade que demonstrara durante toda a guerra.

                    Onde surgia uma brecha, ele estava presente.

                    Onde uma formação vacilava, sua voz restaurava a disciplina.

                    Cada ordem parecia antecipar os movimentos do inimigo.

                    Os comandantes da Grande Aliança perceberam que a batalha seguia exatamente como haviam temido.

                    Mesmo reunindo o maior exército da história, continuavam incapazes de derrotar o general das trevas.

                    As horas transformaram-se em um massacre.

                    Corpos cobriam o campo de batalha.

                    As muralhas erguidas às pressas desmoronavam uma após a outra.

                    Mesmo os dragões começaram a cair diante da resistência desesperada dos defensores, mas para cada criatura abatida, dezenas de soldados haviam perdido a vida.

                    Quando o sol começou a desaparecer no horizonte, tornou-se evidente que o confronto não teria vencedores naquele dia.

                    Entretanto, esse nunca fora o verdadeiro objetivo da Grande Aliança.

                    Enquanto milhares de guerreiros lutavam e morriam para manter Draxos ocupado, um pequeno grupo permanecia distante da linha de frente.

                    Guardado pelos mais fiéis defensores dos Wyzen e dos Thaion, repousava o artefato desenvolvido em absoluto segredo durante os anos anteriores.

                    A Arma Antiga.

                    Seu propósito jamais fora destruir um exército.

                    Ela existia para atingir apenas um alvo.

                    Draxos.

                    Naquele momento, os líderes da Grande Aliança compreenderam que havia chegado a hora da decisão mais difícil de suas vidas.

                    Acionar a Arma Antiga significava colocar nas mãos dos mortais um poder que jamais deveria existir.

                    Mas não utilizá-la significava entregar o mundo às trevas.

                    O silêncio tomou conta do círculo dos anciões.

                    Nenhum deles desejava dar a ordem.

                    Ainda assim, alguém precisaria fazê-lo.

                    E, quando a decisão finalmente foi tomada, não houve possibilidade de retorno.

                    O destino de Draxos — e do próprio mundo — havia sido selado.

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                    • #25
                      Muito bom!!! Obrigado pelo texto 👌

                      Em atividade desde Agosto/2005
                      Como é jogar priston tale no local mais remoto do Brasil?

                      Que haja BALANCEAMENTO no continente do Priston!

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